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TISFD: como a sua empresa impacta as pessoas? 

Por Rubens Ferreira21 setembro 2026

Quem acompanha relatórios corporativos de sustentabilidade já se acostumou com duas siglas: a TCFD organiza como as empresas divulgam riscos climáticos e a TNFD faz o mesmo para a relação entre negócio e natureza. Agora, o mercado começa a ser apresentado a uma terceira. 

  • Depois do clima e da natureza, uma terceira força-tarefa internacional propõe padronizar como as empresas relatam seus impactos sobre as pessoas: a TISFD.
  • A primeira versão do framework TISFD já está publicada e o texto final deve ficar pronto em 2027.

A TISFD, sigla em inglês para Força-Tarefa sobre Desigualdade e Divulgações Financeiras Relacionadas a Aspectos Sociais, foi lançada em 23 de setembro de 2024 durante a Climate Week de Nova York. Sua proposta é criar um padrão internacional para que empresas e instituições financeiras informem como suas operações afetam as pessoas e como dependem delas, de colaboradores a consumidores.

Sabemos que relatórios corporativos costumam incluir informações sociais, porém em formatos não padronizados. Uma empresa relata horas de treinamento, outra relata rotatividade, uma terceira descreve ações comunitárias. Dessa forma, o investidor não consegue avaliar se a operação depende de uma mão de obra que está encolhendo, ou se a cadeia de fornecimento carrega um passivo trabalhista capaz de interromper a produção, por exemplo.

Por isso, a TISFD adota o mesmo raciocínio que a TNFD aplicou à natureza. Ou seja, em vez de listar boas ações, a empresa mapeia quatro agendas relacionadas a pessoas: os impactos que causa, as dependências que tem, os riscos que corre e as oportunidades que enxerga.

A estrutura acompanha o desenho já conhecido da TCFD e da TNFD, possibilitando uma redução no custo de adoção para quem já reporta clima ou natureza. 

ElementoO que a TISFD propõe
Pilares de divulgaçãoGovernança, Estratégia, Gestão de Impactos e Riscos, e Métricas e Metas
Requisitos geraisMaterialidade, informação relevante para o sistema, engajamento com partes interessadas, delimitação de escopo e horizontes temporais
Pessoas em escopoForça de trabalho própria, trabalhadores da cadeia de valor, comunidades afetadas, consumidores e usuários finais
Conceito centralImpactos, dependências, riscos e oportunidades relacionados a pessoas

TISFD em 2026 

A TISFD publicou em 2026 a versão beta 0.1 do seu framework com fundamentos conceituais, requisitos gerais e recomendações preliminares de divulgação e manteve consulta pública sobre esse texto aberta até 31 de julho de 2026.

A partir de então, a força-tarefa começou a processar as contribuições recebidas, para conduzir uma fase de testes com empresas e instituições financeiras e poder publicar a versão final do framework em 2027. Métricas e orientações de implementação virão nessas edições seguintes, por isso o texto disponível hoje ainda não permite reportar de ponta a ponta.

TISFD em empresas brasileiras

Em 29 de maio de 2026, a Comissão de Valores Mobiliários editou a Resolução CVM 244, que revogou a obrigatoriedade de divulgação das informações financeiras relacionadas à sustentabilidade prevista na Resolução CVM 193.  Ou seja, a obrigação regulatória diminuiu no país. 

No entanto, a cobrança de mercado permaneceu. As empresas brasileiras que fornecem para cadeias europeias continuam recebendo questionários de clientes submetidos aos padrões ESRS, que já pedem informação social detalhada. Ao mesmo tempo, investidores institucionais também mantêm suas próprias exigências de informação social. 

A perspectiva é que a TISFD se torne uma linguagem comum para essas demandas.

Para empresas que compensam emissões com projetos de carbono, existe um ponto importante. Os projetos de carbono de alta integridade geram benefícios sociais em territórios vulnerabilizados, proporcionando geração de renda e fortalecimento da governança local. Esses resultados quase sempre são narrados em texto, sem uma estrutura comparável. Com a TISFD, a expectativa é poder organizar esses benefícios no mesmo padrão usado para clima e natureza.

Por onde começar

Aconselhamos três movimentos para preparar sua a empresa antes da adoção formal do TISFD.  

Primeiro, mapear quais grupos de pessoas a operação afeta e dos quais depende, usando as quatro categorias do framework. 

Segundo, verificar quais dados sociais já existem na empresa e em que formato, porque boa parte da informação costuma estar dispersa entre recursos humanos, compras e relações institucionais. 

Terceiro, acompanhar a publicação da versão final em 2027 e as decisões do ISSB sobre capital humano.

A agenda social ainda está na fase de maturação, mas começar a organizar os dados agora pode facilitar o trabalho a partir do ano que vem. 

O Instituto Ekos Brasil faz parte da TISF Alliance.

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