No mercado de carbono, é comum falar em toneladas de CO2. Mas, neste Dia da Árvore nossa proposta é olhar para o que existe por trás delas.
Em cada crédito de um projeto florestal há algo muito concreto: árvores que crescem, que morrem, que queimam e que são monitoradas tanto do espaço quanto do chão, por satélites, sensores e medições em campo.
É da árvore que vem o número que quantificamos os projetos todos os dias, mesmo se não nos damos conta disso em meio a planilhas e documentos, por vezes burocráticos.
Em projetos de restauração (ARR), por exemplo, o carbono removido é estimado quando combinamos medições em campo, (como diâmetro, altura e densidade da madeira) com o sensoriamento remoto, que permite acompanhar a evolução da cobertura vegetal em toda aquela área.
Já em projetos de conservação (REDD+), a lógica é diferente. O crédito não vem do crescimento das árvores, e sim do desmatamento que deixou de acontecer, monitorado principalmente por imagens de satélite. Ou seja, o crédito vem do carbono que continua estocado em árvores que seguem de pé sendo conservadas.
E por que essa diferença importa, e muito, para o Brasil?
Segundo o boletim do Idesam de 2025, a maior parte dos projetos florestais brasileiros registrados no VCS é de REDD+ (116), enquanto os de restauração somam 44. Boa parte do que o país oferece hoje ao mercado depende, portanto, de manter florestas vivas, não de plantá-las. E esse peso não é só brasileiro: segundo o State of the Voluntary Carbon Market 2025, em 2024 foram negociadas no mundo 13,6 milhões de tCO₂e em créditos REDD+, mais de três vezes e meia o volume de ARR (3,8 milhões).
Manter uma floresta viva, porém, não é trivial. Diversas ameaças como fogo, seca, exploração ilegal e conflitos fundiários são riscos reais para a conservação.
Por isso, muito além de jargões técnicos, conceitos como permanência, linha de base e vazamento são parâmetros que definem o destino dessas árvores ao longo de décadas. Assim como compreender que o cuidado com as pessoas, com as nascentes, com o solo e com a fauna são essenciais para sustentar uma floresta em pé.
É por isso que, desde a sua origem, o Programa Compromisso com o Clima, do Instituto Ekos Brasil, olha para os projetos florestais junto com um outro olhar.
Antes da tonelada, a análise busca entender de onde vêm os créditos, que riscos ameaçam aquelas árvores, como a linha de base foi construída, quem vive no território e como participam dos benefícios, e que mecanismos existem para acompanhar os resultados ao longo do tempo. É com essas informações bem assertivas que compradores de créditos de carbono conseguem distinguir e escolher projetos a partir de árvores que estão, de fato, sendo protegidas ou plantadas.
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