Mercado de Carbono

Dia Mundial da Biodiversidade. Um bom momento para começar a falar sobre TNFD.

Por Rubens Ferreira21 maio 2026

A TNFD não é simplesmente a “TCFD da biodiversidade". Mas você sabe como implementar esse framework de forma estratégica?

Nos últimos anos, a Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) ajudou a colocar o clima no centro da gestão de riscos das empresas. Ao trazer o clima para dentro de áreas como governança, estratégia, métricas, o tema deixou de ser só ambiental e passou a fazer parte da tomada de decisão.

Agora, um movimento parecido começa a ganhar força com a Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD).

Mas vamos separar expectativa de realidade.

A TNFD não é simplesmente a “TCFD da biodiversidade”. Há uma ampliação de escopo, já que enquanto o TCFD foca em riscos e oportunidades climáticas, o TNFD trata da relação mais ampla entre empresas e natureza. Aqui podemos citar  dependências, impactos, riscos e oportunidades que envolvem uso da terra, disponibilidade de água, integridade de ecossistemas e cadeias produtivas inteiras.

Isso aumenta o nível de complexidade e tem uma consequência prática importante: a TNFD não é um pacote pronto. Não existe uma aplicação padrão que funcione para todas as empresas. Ele exige interpretação já qe depende do setor, da localização, da cadeia de valor e de como cada empresa se relaciona com a natureza.

Tentar “implementar TNFD” como checklist tende a gerar pouco resultado, correndo o risco de repetir o que já aconteceu em outros temas levando a aplicação formal, baixa conexão com a operação, pouca influência nas decisões reais.

O framework ainda está em consolidação, mas há um apontamento de direção. Investidores já começam a olhar para riscos relacionados à natureza, regulações devem evoluir, exigências de transparência tendem a aumentar. Por isso, fica um alerta nosso: esperar “ficar pronto” pode significar chegar atrasado!

Talvez o caminho mais consistente seja começar pelo que importa: entender onde e como a empresa depende da natureza. Quais são os principais impactos? De quais recursos a operação depende? Quais riscos isso gera no médio e longo prazo?

Podem parecer perguntas simples, mas quem está no mercado sabe que são pouco feitas.

A partir de hoje, vamos publicar uma série de artigos explorando a TNFD em mais profundidade incluindo setores, metodologias, casos e desafios práticos de implementação.

Se o tema já está no seu radar, ou se você ainda está entendendo por onde começar, acompanhe. A conversa está só começando.

Notícias relacionadas

Veja mais