O Programa Brasileiro GHG Protocol apontou recorde de publicação de inventários de emissões no Registro Público. Foram cerca de 1.300 inventários relativos ao ano de 2024. Esse dado comprova o comprometimento cada vez maior de muitas empresas em medir suas emissões.
Por outro lado, nossa experiência de mercado nas últimas décadas aponta outra realidade: poucas dessas empresas sabem o que fazer com esses números depois.
Do nosso ponto de vista, um bom caminho é estabelecer uma meta de emissões. Isso porque, enquanto o inventário responde “quanto”, a meta será responsável por responder “para onde”, impedindo que o inventário se torne apenas um documento de prateleira.
Ao estabelecer uma meta, a empresa consegue enxergar com mais clareza quais são as prioridades, de que forma vai alocar os recursos e como acompanhar a evolução do trabalho.
Se ainda restam dúvidas sobre como começar, anote estas perguntas:
Onde estão as principais emissões? O que é viável reduzir? Em que prazo? Com que custo?
As respostas indicam um processo e trazem à tona o que antes ficava apenas implícito.
Além de orientar o rumo interno da gestão climática da empresa, entendemos que as metas de emissões também trazem benefícios no campo externo. Há algum tempo, investidores, reguladores, mercados e padrões internacionais exigem metas que vão além dos inventários, já que é dessa forma que a empresa comprova a existência de um esforço real de transição para uma economia de baixo carbono.
E quais devem ser os critérios na hora de definir metas de emissão?
Aqui está um ponto que costuma ser ignorado: definir uma meta não é apenas escolher um número.
Uma meta mal construída pode não ser alcançável, não refletir a realidade da operação ou levar a decisões equivocadas. Os erros mais comuns são metas desconectadas do inventário, sem base técnica ou que simplesmente ignoram o Escopo 3. Como resultado, a meta até existe no papel, mas não funciona na prática.
Porém, definir a meta é apenas o começo. Empresas que sustentam suas metas de forma séria estabelecem ainda um plano de ação, indicadores para acompanhamento contínuo e revisões periódicas. Esses são requisitos que encaramos como essenciais para que a meta se torne uma ferramenta de gestão.
Já vimos muitas empresas estabelecerem metas ambiciosas e falharem na execução.
A sua empresa já definiu metas de emissões — ou ainda está só medindo? Se já definiu, elas estão de fato orientando decisões?
É aqui que o inventário começa a gerar valor real.



