Mercado de Carbono

7 motivos [pragmáticos] para sua empresa se preocupar com as mudanças climáticas

Por Rubens Ferreira29 abril 2026

O impacto já chegou em instâncias como custo, risco, acesso a mercado e tomadas de decisão. Entenda como.

Se durante muito tempo as mudanças climáticas foram tratadas como um tema ambiental, hoje isso não se sustenta mais. O impacto já chegou em instâncias como custo, risco, acesso a mercado e tomadas de decisão.

A seguir, evidenciei em 7 pontos os motivos pelos quais a sua empresa deve se preocupar com as mudanças climáticas, de uma forma bem prática, sem teorias, e com a linguagem do mercado.

Primeiro motivo: o risco climático já entrou no reporte financeiro

No Brasil, a Resolução CVM 193 estabelece que companhias abertas passem a divulgar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade com base nos padrões do ISSB (IFRS S1 e S2).

Na prática, isso exige que uma empresa de capital aberto explique quais são seus riscos climáticos, como esses riscos afetam o negócio e quais são os impactos financeiros esperados

Isso se traduz, entre outros pontos, em inventário de emissões, análise de cenários, efeitos no modelo de negócio e plano de transição.

A gestão corporativa de Mudanças Climáticas passa a ser cobrada (e em números).

Segundo motivo: exportar pode ficar mais caro (ou inviável)

O CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism) é um mecanismo da União Europeia que ajusta o custo de carbono na fronteira, taxando produtos importados com base nas emissões associadas à sua produção.

Hoje, ele se aplica a setores intensivos em emissões, como: ferro e aço, alumínio, cimento, fertilizantes, hidrogênio e eletricidade.

Ou seja, na prática, as empresas que exportam para a Europa precisam comprovar suas emissões. Caso contrário, o produto pode ser taxado na entrada.

Este ponto nos mostra como as Mudanças Climáticas já estão afetando a competitividade.

Terceiro motivo: emissões passam a ter limite e preço no Brasil

A Lei nº 15.042/2024 institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).

O sistema estabelece dois níveis principais:

  • acima de 10.000 tCO₂e/ano: obrigação de monitoramento e reporte
  • acima de 25.000 tCO₂e/ano: participação em mecanismos de controle e mercado – conciliação.

Isso faz com as emissões de gases de efeito estufa deixem de ser apenas um indicador nos inventários anuais e passem a ter um limite, e até mesmo, um potencial custo.

Fique de olho, pois já estamos iniciando a era da precificação de carbono no Brasil.

Quarto motivo: o acesso a crédito começa a seguir critérios climáticos

A Taxonomia Sustentável Brasileira classifica quais atividades econômicas são consideradas sustentáveis.

Essa taxonomia orienta a concessão de crédito, direciona investimentos e ainda influencia condições financeiras. Para além de uma classificação, funciona como um filtro que favorece empresas alinhadas com a transição para uma economia de baixo carbono.

Quinto motivo: a regulação já chegou na operação (e não só em um estado)

No Brasil, as exigências climáticas já fazem parte do licenciamento ambiental.

Em São Paulo, por exemplo, a CETESB exige inventários de emissões para instalações acima de determinados limites, como forma de acompanhar emissões e medidas de mitigação.

Já no Rio de Janeiro, o INEA exige, no licenciamento, inventários de emissões e, para setores específicos (como petroquímica, siderurgia, cimento e energia), também planos de mitigação. Esses inventários devem ser verificados por organismo independente acreditado.

É perceptível que há um movimento regulatório em expansão.

Sexto motivo: normas de gestão já incorporaram mudanças climáticas

As normas ISO também evoluíram. No caso da ISO 14001:2026, as organizações passam a ter que considerar mudanças climáticas ao avaliar o contexto da organização, os riscos e oportunidades e a eficácia do sistema de gestão.

A agenda climática não é mais periférica, ela está dentro da auditoria.

Sétimo motivo: tudo começa com medir.

Nenhum desses pontos funciona sem uma base mínima: informação.

Aqui, reside a importância do inventário de gases de efeito estufa ao permitir entender a situação atual dos escopos de emissão, identificar riscos e definir metas, além de responder a reguladores e investidores

Sem medir, a empresa não consegue explicar, quanto mais gerenciar a gestão de emissões.

Esses sete pontos nos mostram que regulação, mercado, crédito e gestão começam a apontar na mesma direção.

Ignorar isso não evita o impacto para a sua empresa. Apenas adia e faz com que ele chegue ainda mais custoso.

Convenci? 

Quais desses pontos você gostaria de entender melhor?
Posso aprofundar nos próximos conteúdos!

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